sexta-feira, 20 de março de 2009

Ju, porque a gente vale muito!

Certa vez uma amiga me telefonou, em prantos, pela frieza do atual ex namorado.
- Ah, Ana, ele não era assim! Era tão carinhoso, tão atencioso, tão incrivelmente perfeito! E agora...parece que não ta nem aí pra mim.
- Nossa, e eu que pensava que esse tipo de coisas só aconteciam comigo. Vou te contar uma história, e se no final dessa história você continuar chorando, apelarei para uma boa e eficiente e extraordinariamente calórica tigela de açaí com leite condensado e granola.

Era uma vez uma menina que tinha uma vida bem legal. Era a primeira aluna da turma, tinha um pai que fazia TUDO por ela e um namorado...ah, um namorado de outro mundo.
‘Certa vez, a menina chegou na sua aula de inglês e lá estava o namorado, com seu nome e as palavras “eu te amo” escritas por todo o corpo. O namorado, em questão, ficou quase uma hora dentro de um carro segurando dois gatos de estimação para eles não chegarem perto dela, só porque ela é alérgica. Nos restaurantes, ela ia ao banheiro e quando voltava ele a aguardava com flores. Ele ligava todos os dias para dizer que a amava. Dizia que ela era a garota mais bonita do mundo mesmo quando ela acabava de acordar. Dizia que ela era sexy mesmo ela vestindo as roupas mais velhas. Dizia que sua comida era boa mesmo quando ela esquecia de colocar o sal! Fazia qualquer coisa mesmo que para a ver por cinco minutos. Fazia ela se sentir a garota mais incrivel do mundo, porque assim ele a via.
Mas, o tempo foi passando e as brigas foram aparecendo. Ela não entendia muito bem as coisas que ele fazia por ela, porque ele havia se entregado por completo ao amor. Ela o amava também, mas tinha medo, ou talvez fosse ainda muito imatura para lidar com a plenitude única daquela relação que os dois haviam construído.
Certa vez, em uma discussão na casa da menina, ela, num ato impulsivo, disse que queria terminar. O garoto não entendia. Ele a amava demais, fazia tudo por ela, tudo, então por que ela ousava propor o fim do relacionamento? A garota era sua vida. Não suportaria o fim. Não entendia, odiava quando ela dizia isso, e ao mesmo tempo a amava seu rostinho irritado, amava sua vozinha alterada, e odiava ver aquele rostinho chorando, porque o objetivo de sua vida era fazê-lo sorrir. E quando gritou isso para a menina, ela lhe deu um tapa pedindo para ele falar baixo, com medo dos parentes, dos vizinhos, com medo dos outros. E se afastou.
E aí, o menino se aproximou, a abraçou bem forte e disse:
‘Eu vou embora. Mas me promete que NUNCA vai deixar ninguém falar que você não é linda, que você não é suficiente, que você é incapaz. Promete que nunca vai deixar ninguém te colocar pra baixo, porque você é a criatura mais incrível do mundo. Você é tão linda, e tão inteligente, e tão magnífica que qualquer um que ousar dizer o contrário estará somente externalizando a inveja que sente. Vá embora meu amor, e brilhe. Porque você sempre será a estrela que mais brilha no meu céu. Você merece toda a felicidade do mundo. Eu te amo, minha menina. E um dia você vai entender o quão magnífica você é.”
E assim cada um seguiu seu rumo. O menino começou a namorar, e a menina, tempos depois, também. No início, o novo namorado vendeu uma falsa imagem de carinho, de atenção, de afeto, de humanismo. E a menina, já mais amadurecida, se permitiu amar como fora ensinada uma vez. Se entregou ao amor, dizia coisas lindas para o menino, aquelas palavras que nutrem a alma. Prometeu para si mesma que dessa vez faria a coisa certa. Mas pouco tempo depois o menino se afastou. Não soube dar valor a nada daquilo que a menina fazia por ele. E aí ela terminou o relacionamento. Mas não chorou. Não chorou porque havia prometido para a pessoa que lhe ensinou o verdadeiro significado do amor que não deixaria ninguém a colocar pra baixo. Se as pessoas não davam mais valor as coisas que ela fazia, ela não se importava mais. Porque, sobre todas as coisas do mundo, ela acreditava na frase da cítara mágica: “A coisa mais importante de se aprender é amar e ser amado”. E isso ela já havia aprendido.
Então, não chore por quem lhe dá as costas. Chore de alegria para as mãos que lhes são estendidas. Não chore pela ignorância no amor de outras pessoas. Um dia, assim como a menina aprendeu, eles também vão aprender.
Por fim, não chore porque ele está frio com você, porque ele te tratou mal ou porque não te dá a atenção que você merece. Mas se você quer chorar por ele, então eu chorarei com você. Vamos chorar sim, tadinho, ele ainda não aprendeu a valorizar, ele ainda não aprendeu a amar, ele ainda não aprendeu a viver. Coitado.

Depois disso, a minha amiga riu, e é por isso que o menino em questão atualmente ocupa o posto de ex namorado. E nem por isso deixamos de tomar o nosso açaí, que diga-se de passagem, é a melhor coisa do mundo!

5 comentários:

Luiz disse...

Ehhh...
Ana, vc realmente tem um dom de tornar certas coisas tão complexas em coisas tão simples apenas com algumas dúzias de palavras... :O

E bem... não posso deixar de concordar com vc neste texto, by the way =P

Veronica disse...

É Aninha...
Pq eu sou uma chorona mesmo...maaaaaaas fiko lindo isso aí q vc escreveu ç___ç

Palavras certas, atitudes certas... Não é vc q tem q me invejar sou eu q a invejo e muito viu *__*
Adoooro ler oq vc posta aki!

PS: Amooooooooooo Acaí com granola *______*
Bjinhu da Vê :*

Verônica H. disse...

Não só me identifiquei com o texto, como aprendi muito. Você conseguiu uma coisa rara: Escrever um texto que eu li do começo ao fim sem perder o fio.
linda forma de se expressar!

Ana Paula Andreolla disse...
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Lais Braz disse...

Hauhaua!!
Adorei! Como você diz: Genial!