segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

To my best friend: Saudade de um silêncio azul.

Saudade de um silêncio azul.

Levando em consideração todos os acontecimentos deste ano, eu não sei como será a sua comemoração de ano novo, e nem sei como vai ser a minha, mas a frase “saudade de um silêncio azul”, definitivamente é a ultima frase que eu quero dizer antes de deixar 2009 para trás.

Sei que passagens de ano nada mais são do que uma representação simbólica, ainda que se trate de uma representação que traga para as pessoas, além de esperança, um sentimento de renovação. Talvez seja por isso que as pessoas, quando chega essa época do ano, costumam fazer uma retrospectiva do ano que passou e se policiam para se tornarem pessoas melhores no ano seguinte.

Bom, fazendo uma retrospectiva, a frase que melhor definiria como me sinto nesses últimos dias de 2009, é essa: saudade de um silêncio azul.

Essa frase representa muito mais do que um momento necessário enquanto você narrava uma máfia. Representa, entre outros aspectos, os melhores momentos de 2009, e também um dos melhores momentos da minha vida.

Esse fim de semana, de noite, fui em Taguatinga buscar o carro do meu pai, que estava em uma oficina. Taguatinga é bem longe do plano piloto. Fomos de moto e eu voltei dirigindo.

Voltando pra casa eu desliguei o som. Eu adoro dirigir, e vim dirigindo bem tranqüila. Gosto de observar a cidade, as pessoas, mas no fim do ano é diferente do que em qualquer outra época do ano.

Para começar, a cidade está toda enfeitada para o natal. Repleta de luzes coloridas que iluminam pessoas que andam sorrindo carregando sacolas pelas ruas, pessoas que atravessam apressadas a faixa de pedestre, e outras que atravessam segurando a mão de uma criança cujos olhos brilham ainda mais do que as luzes que esta aponta com entusiasmo.

Os caminhões da coca-cola até parecem feitos de mágica enquanto andam pela cidade com enfeites e luzes magníficas, tocando melodias daquelas que você guardava numa caixinha de música quando criança. Tudo parece um comercial de fim de ano, onde até o mendigo que outrora estendia a mão com pesar nos olhos agora o faz sorrindo, com a frase: “Deus te abençoe e tenha um feliz natal!” prostrada na ponta da língua. Acho que essa é também a única época do ano em que o mendigo deixa de ser preto e branco e ganha um pouquinho de cor.

E essa mistura de luzes coloridas e enfeites espalhafatosos vão pintando a realidade. Cores, cores por todos os lados, cores de todas as cores. As únicas coisas que permanecem brancas são as estrelas, a única coisa que permanece negra é o céu noturno.

Se tem outra coisa que eu adoro observar enquanto dirijo, essa coisa é o céu. Especificamente, gosto de olhar para o céu se fundindo com a estrada no horizonte. Dá aquela sensação de liberdade, da não existência do fim...enquanto dirijo parece que nada mais existe além de mim, do carro que parece me obedecer com o pensamento e uma estrada infinita a ser conquistada...

Fim e infinito. Duas ideias antagônicas apareceram num único parágrafo. Eu não gosto da palavra fim, e enquanto eu dirijo não existe no mundo nada mais distante do que a idéia do fim. Ganho em cada esquina uma esperança, em cada alternância de cenário o sabor de vida nova, e em cada rosto diferente imagino uma história magnífica! Dirigir no fim do ano é passar por um túnel que circula todo o universo. Um túnel feito de rostos e cores. E eu gosto de rostos e cores. Talvez seja por isso que eu não gosto da lua cheia.

Lá, no céu, inatingível com o seu ar superior, orgulhosa, impõe sua aparição para todos aqueles corajosos que ousam erguer suas cabeças para mirar o infinito. Mas como pode um círculo sem ter mais pra onde se expandir, totalmente preenchido pelo vazio, que representa muito mais uma mesmisse do que uma continuidade, do que uma evolução, querer sobrepor-se sobre a imagem do infinito ausente de fronteiras, que encontra em cada horizonte, um horizonte ainda mais distante?

A lua cheia é bonita sim, mas grande, vazia, redonda e sem mais perspectivas. E eu não gostava de nada que atinge o pico máximo. Gosto das coisas que crescem.
As coisas, quando atingem o auge, representam o fim do progresso. E como eu disse antes, eu não gosto de finais felizes, porque eu não gosto do fim. Gosto da evolução. E a lua cheia não tem rosto, não tem cor, e é incapaz de evoluir.

Se você olhar em volta vai reparar que as cores do natal são vermelho, dourado e verde. Mas o azul, Frost, o azul ta no céu, o azul ta no mar, o azul ta no horizonte e ta nos olhos do meu pai. E em 2009 você pintou a minha vida de azul ao se tornar azul. E repare que todas as coisas azuis não possuem início, meio e fim. Elas apenas continuam existindo, pra sempre. E pra sempre você vai ser uma das pessoas mais importantes da minha vida.

A vida tem muitas cores e gostos e formas, e dizem que é feita de momentos e saudades. A minha vida tem muitas cores, muitos gostos e muitas formas, mas a minha saudade, essa, é azul.

domingo, 13 de dezembro de 2009

^^

Use a desculpa de que quer entrar no mundo das drogas só pra salvar o amor da sua vida,
e definhe a cada dia que passa adorando o fato de estar fracassando nisso.

"Hipocrisia...eu quero uma pra viver"

"Vamos embora, loucos fazem loucuras."

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mídia, Ciência e Tecnologia - células-tronco

O post a seguir é parte de um trabalho que fiz no terceiro semestre da faculdade. To colocando aqui porque to com umas ideias pra um outro post, e que para não ficar muito grande, farei referências a alguns conceitos trabalhados neste. Mas, para os que me conhecem, pode ser que eu nem faça o post. De qualquer forma, fica aí ^^

A ciência, a mídia e a sociedade nas células-tronco embrionárias – Parte I
As células-tronco embrionárias tem gerado bastante polêmica na sociedade. Porém, mais do que provocar debates entre cientistas e religiosos, mais do que brincar com leis e legislações, mais do que brotar esperanças nos sonhos de pessoas portadoras de determinadas doenças ou de afligir as convicções de outros, a polêmica, acima de tudo, realizou uma façanha há muito não observada na atualidade: a aproximação, o contato da ciência com a população.
Embora inquestionavelmente se mostre presente de forma marcante em todas as civilizações, seja por meio da medicina ou dos recursos tecnológicos, a ciência em sua essência, no Brasil, ainda é restrita aos cientistas. Por isso, tanto quanto as novidades medicinais, as discussões a respeito da utilização de células extraídas de embriões para pesquisas científicas trouxeram também outra novidade: o interesse e a busca de conhecimento das pessoas sobre o tema para terem mais do que opiniões gasosas para uma questão que engloba aspectos científicos, éticos, sociais, políticos e também econômicos.
Mas, afinal, o que são células-tronco?
Em 1963, a revista científica Nature publicou algumas experiências realizadas por James Edgar Till, considerado o pai das células-tronco. Essas experiências mostraram que colônias derivadas da medula, formadas no baço de ratos que receberam radiação pesada, eram clones derivados de células singulares. Esses clones continham mais de um tipo de célula formadora de sangue diferenciada. Então, fortes evidências foram oferecidas, pela primeira vez, de que a medula óssea do rato adulto contém células progenitoras multipotentes, ou seja, células que podem dar origem a diversos outros tipos restritos e limitados de células.
Basicamente, são células capazes de se dividirem e se diferenciarem por vários tecidos do corpo. Essas células possuem diversas características, podendo ser divididas quanto a classificação e quanto a sua natureza.
Quanto à classificação, temos quatro subdivisões: Totipotentes, Pluripotentes ou Multipotentes, Oligotentes e Unipotentes.
As totipotentes são as células capazes de se diferenciar em todos os 216 tecidos que formam o corpo humano, incluindo a placenta e os anexos embrionários. Essas células são encontradas nas primeiras fases de divisão do embrião, ou seja, por volta do terceiro ou quarto dia do seu desenvolvimento, quando apresentam até 16 – 32 células.
Excluindo a placenta e os anexos embrionários, as pluripotentes ou multipotentes são capazes de diferenciarem-se em todos os outros tecidos humanos, encontradas em uma fase do desenvolvimento do embrião chamada de blastocisto, ou seja, no quinto dia de desenvolvimento, onde apresentam 32-64 células, sendo que as internas do blastocisto são pluripotentes, e as presentes nas membranas externas destinam-se a produção da placenta e as membranas embrionárias.
As oligotentes, por sua vez, são aquelas que diferenciam-se em poucos tecidos do corpo humano, e as unipotentes, apenas em um único tecido.
Quanto à sua natureza, são duas: adultas e embrionárias.
As células-tronco adultas são extraídas dos diversos tecidos humanos, tais como: medula óssea, sangue, fígado, cordão umbilical, placenta, etc. (essas duas ultimas são consideradas adultas devido as suas características de limitação de dferenciação). Também as encontramos nos tecidos adultos, na medula óssea, sistema nervoso e epitélio, porém, sua diferenciação é limitada, e não se pode obter delas a maioria dos tecidos humanos; o que já não ocorre nas células-tronco embrionárias.
As células-tronco embrionárias são encontradas no embrião humano e são classificadas como totipotentes ou pluripotentes, devido ao seu alto poder de diferenciação celular de outros tecidos, o que a torna bastante estimada entre a comunidade científica pelas possibilidades de regeneração que oferece. Isso significa que ela traz, no pacote, a possibilidade de vencer diversas doenças degenerativas que ainda no século XXI matam milhões de pessoas todos os anos.
A descoberta das promissoras características das células-tronco embrionárias seria quase perfeita se não fosse por um único detalhe: a sua forma de obtenção, que, para se coletar o suficiente para atender satisfatoriamente as demandas das pesquisas, inevitavelmente, causa a destruição do embrião.
Por esse motivo, a utilização de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos vem causando bastante polêmica no mundo todo. Recentemente, no Brasil, as pesquisas com este singular tipo de célula foram aprovadas. Mas sua aprovação não se deu antes de um intenso debate entre a comunidade científica, religiosa, política, social e até mesmo econômica.Como citado anteriormente, as publicações com a temática células-tronco datam de mais de 40 anos. No Brasil, elas nunca se viram tão presentes como nesse primeiro semestre de 2008.
De repente, questionamentos aos parágrafos que regem os segmentos da Constituição Brasileira, como o que garante proteção e direito à vida de todos os seres humanos, e da lei de biossegurança que permitia aos cientistas utilizarem células-tronco de embriões congelados há mais de 3 anos para fins terapêuticos, proporcionaram aos jornais de todo o Brasil artigos ácidos de cientistas, políticos, religiosos e editoriais polêmicos.
Não seria exagero dizer que cientistas e religiosos despejaram nos jornais anos de tensão acumulada de uma briga que data desde os primórdios: Ciência x Religião. Razão x Fé.
A Ciência e a Tecnologia no decorrer da história
Desde o surgimento da filosofia, o homem vem questionando os fenômenos naturais e buscando outras respostas que não as simplistas oferecidas pela religião. Mas, se pararmos para observar, as duas sempre andaram juntas.
Desde antes de o homem poder se expressar em formas de palavras, a ciência e a mitologia já se manifestavam. Basta observar as pinturas paleolíticas e as primatas ferramentas que o homem manuseava antes mesmo de saber falar. Posteriormente, a descoberta do fogo revolucionou o comportamento da humanidade até então. Com mais alguns avanços, a humanidade começou a conviver em sociedades, desenvolvendo cada vez mais recursos para deixarem uma subsistência nômade e a habitarem lugares fixos, utilizando-se de recursos e ferramentas para manterem suas moradas seguras de animais selvagens ou sociedades inimigas.
Desenvolveram a linguagem e a escrita; os mitos deram espaço para as religiões; as religiões se adaptaram à política; a política aderiu à economia; e esse mundo tão novo foi caminhando a medida em que a ciência e a tecnologia se desenvolviam.
Mas, para se desenvolver, a ciência e a tecnologia precisavam de respostas convincentes, de porquês solucionados para poderem criar mecanismos coerentes com as leis que regem a natureza. E elas tinham total liberdade para isso, desde que não questionassem os feitos daqueles nem sempre escolhidos para administrarem a sociedade.
E, apesar de várias culturas com um certo grau de desenvolvimento terem sido dizimadas nas constantes guerras na antiguidade, onde muitas civilizações - ao contrário do Império Romano que absorvia parte da cultura dos povos domados - disseminavam essas culturas e conhecimentos para imporem as suas próprias, a ciência e a tecnologia progrediam de forma razoável, até a chegada do grandioso obscurantismo que caracterizou a Idade Média.
Durante toda a Idade Média, os interesses políticos e econômicos por trás dos templos religiosos tangeram uma era em que o conhecimento científico e as possibilidades de mudança e crescimento social eram minuciosamente controlados pela Igreja Católica.
Bitolados em um sistema feudal, onde a Igreja Católica situava-se no topo da pirâmide estrutural da sociedade da época, os questionamentos a respeito de fenômenos naturais e até mesmo da forma como a sociedade estava organizada era de direito exclusivo da Igreja respondê-los.
Entretanto, muitos cientistas, por meio de observações e experimentos, constataram que nem tudo o que a igreja afirmava era, de fato, correto.
Nesse sentido, a doutrina cristã se via ameaçada. Para manter sua influência, a igreja católica, através do Tribunal do Santo Oficio, criou um método de perseguir todos aqueles que questionavam suas doutrinas: A Inquisição.
No decorrer da era, a Inquisição perseguiu várias pessoas que defendiam idéias contrárias à doutrina cristã, acusando-as de heresia. Entre os perseguidos, podemos destacar o conhecido astrônomo italiano Galileu Galilei, que escapou da fogueira quando retirou a proposta de uma organização heliocêntrica do sistema solar. A mesma sorte não teve o cientista italiano Giordano Bruno que foi julgado e condenado à morte pelo tribunal.
Porém, a intensificação do comércio entre os feudos deu margem para que um uma classe social que começava a se fortalecer organizasse uma revolução que mudaria toda a estrutura social da época e daria espaço para o crescimento pessoal, científico e social: A burguesia.
Com a adesão dos burgueses na elite social, a estrutura da sociedade era reorganizada de forma a atender os interesses burgueses. Objetivando o lucro, a burguesia necessitava de um mercado consumidor cada vez mais abrangente. Dessa forma, os feudos foram se desfazendo, e os camponeses foram migrando dos campos para as cidades em prol de uma qualidade de vida melhor.
O fim do feudalismo representou o fim do obscurantismo e da Idade Medieval. Nascia uma nova estrutura social. Nascia uma nova era: A Idade Moderna.
Caracterizada pelos feitos da Reforma Protestante, das idéias iluministas, do surgimento da sociologia, do "fim" do obscurantismo religioso, da expansão marítima, da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, a Idade Moderna vivenciou o espantoso avanço científico e tecnológico.
Após uma brusca freada na Idade Medieval no crescente gráfico representativo do desenvolvimento científico e tecnológico, a biologia, a física, a matemática, a medicina, a química, a ciência e a tecnologia em si avançaram em disparada em um segmento que nos leva direto a uma era que permite ao ser humano, através de complexos recursos tecnológicos, buscar curas para suas chagas dentro do próprio organismo, como observado hoje no caso das células-tronco.
Além do avanço medicinal, foi na Idade Moderna em que a tecnologia, auxiliando a comunicação, permitiu que os seres humanos tivessem mecanismos cada vez mais sofisticados para divulgarem suas idéias, noticiassem os acontecimentos cotidianos e divulgassem os progressos científicos e tecnológicos.
Com a divulgação das pesquisas científicas e tecnológicas, o conhecimento, as hipóteses e os experimentos tornavam-se objetos de estudo não apenas de alguns poucos cientistas em áreas distintas, mas transformava essas áreas distintas em objetos de estudo de cientistas espalhados por todo o mundo.
Dessa forma, as descobertas e os avanços se davam de maneiras muito mais rápidas e precisas. Por isso, as divulgações das pesquisas científicas e tecnológicas foram fundamentais para atingirmos o patamar encontrado hoje na Idade Contemporânea.

A ciência e a mídia na Idade Contemporânea

Se o rápido avanço científico e tecnológico assustou a humanidade na Idade Moderna, na Idade Contemporânea atropelou gerações, se desenvolvendo mais rápido do que a adaptação da população.
Nas ultimas décadas, pessoas de uma mesma geração que outrora haviam se impressionado com a invenção da televisão, do telefone, das máquinas fotográficas com filmes, das máquinas de escrever, etc., viram também todas essas novidades se tornarem ultrapassadas, dando lugar a era digital.
E esse impressionante avanço tecnológico permitiu também um incrível avanço científico e medicinal.Com a criação de microscópios cada vez mais potentes, de máquinas de raios-x, de meios para identificar substâncias escolhidas no corpo humano através de magnetismo, de mecanismos que permitiram ao homem comparar sangue, tecidos, músculos, nervos, etc., de pessoas doentes com pessoas saudáveis e desenvolverem curas, de estudarem todos os organismos vivos, etc., o ser humano passou a compreender o universo funcional que faz do corpo humano uma máquina perfeita.
Dessa forma, a ciência e a tecnologia passaram a fazer parte do cotidiano da população. Ou melhor, os frutos dos avanços científicos e tecnológicos passaram a fazer parte do cotidiano da população. A ciência e a tecnologia em si ficaram cada vez mais restritas aos cientistas.
Mas, por que isso acontece?
Como vimos, a sociedade se desenvolve conforme a ciência e a tecnologia avançam. E a ciência e a tecnologia avançam para atenderem as necessidades da população. E quando essas necessidades são supridas, novas necessidades surgem, e com elas, novas invenções, que geram novas necessidades, que geram novas invenções. E nesse ritmo, as sociedades vão caminhando e se desenvolvendo.
Desde a adesão da burguesia na elite social, o desenvolvimento do comércio demandou um maior mercado consumidor. Com os burgueses interessados em ampliarem suas zonas de influência no comércio, o desenvolvimento do capitalismo que caracterizava a estrutura social burguesa desencadeou na globalização, uma característica fundamental da Idade Contemporânea.
A globalização permitiu que pessoas do mundo inteiro pudessem adquirir os produtos oferecidos por empresas de diferentes nações, e esses produtos chegaram ao alcance dessas populações através do desenvolvimento da comunicação (que permitiu aos burgueses propagandearem seus produtos de forma rápida, de modo a convencer as pessoas a os comprarem, para atenderem suas necessidades) e do desenvolvimento da tecnologia, que busca transportar os produtos de forma cada vez mais rápida e segura, conforme as necessidades dos burgueses.
Como já dizia Karl Max na Idade Moderna, "para o capitalismo, tudo o que é sólido se desmancha no ar", ou seja, para o capitalismo funcionar, é necessário que as pessoas sintam necessidades novas, para comprarem coisas novas, e novamente sentirem novas necessidades. Por isso, as rápidas inovações científicas e tecnológicas se tornaram necessárias para compatibilizarem com a estrutura social da Idade Contemporânea.
Dessa forma, os cientistas trabalham nas inovações tecnológicas, nas descobertas medicinais, etc., e para isso exploram recursos na terra, no mar, no ar e até mesmo no universo. A tecnologia atual permite que façam isso. E permite também que busquem recursos dentro de seus próprios corpos, como o caso das células-troncos.
Dessa forma, como foi dito, os cientistas trabalham para atenderem as demandas da sociedade em um âmbito geral. A mídia, por meio dos veículos de comunicação, expõe a sociedade em quase todas as suas vertentes, permitindo que os cientistas analisem a sociedade e caminhem para a sua melhoria e desenvolvimento. Melhoria e desenvolvimento de recursos, pode até ser, mas e enquanto a melhoria e o desenvolvimento intelectual?
Devido a necessidade de inovações rápidas, os cientistas anunciam seus feitos e descobertas e os jogam na sociedade do consumo, e voltam suas atenções para novas pesquisas. A sociedade consumista, em sua maioria, absorve e usufrui, sabendo apenas que algum complexo mecanismo cuja estrutura não se tem e não se quer ter nem mesmo noções básicas, permitem que façam o que estão fazendo, seja ao trocar de canal com o controle remoto, seja ao tomar uma vacina para prevenir doenças.
Assim sendo, da mesma forma em que a mídia auxilia os cientistas a trabalharem para o desenvolvimento da humanidade, deveria informar a sociedade os trabalhos dos cientistas, para que a sociedade possa entender e axilia-los, já que, como foi mostrado, as divulgações científicas foram fundamentais para o seu rápido progresso. Isso deveria ser um ciclo. Um ciclo que quase nunca se completa, mas que se completou no caso das células-tronco embrionárias no primeiro semestre de 2008 no Brasil.

A ciência, a mídia e a sociedade nas células-tronco embrionárias – Parte II

Desde proposto o julgamento que definiria se a utilização de células-tronco extraídas de embriões para fins terapêuticos seria permitida ou não, cientistas e religiosos defenderam com garras as suas opiniões.
Nos artigos que foram publicados em jornais como Folha de São Paulo e O Globo, bem como para entrevistas que concedeu para vários telejornais como o Jornal Nacional, Globo Notícias, Globo News, SBT repórter, Fantástico e para alguns telejornais da Rede Record, a geneticista da Universidade de São Paulo, Mayana Zatz, defende a opinião de que a liberação para pesquisas com células-tronco embrionárias colocaria o Brasil no mesmo patamar dos países desenvolvidos que permitem esse tipo de pesquisa nesse ramo.
Em uma rápida visita que fez ao Ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, algumas horas antes do julgamento do dia 5 de março de 2008 pelo Supremo Tribunal Federal, a geneticista disse que a proibição das pesquisas com células-tronco embrionárias não mudaria o destino dos embriões, que permaneceriam congelados.
Dessa forma, o Brasil acompanharia os países desenvolvidos realizando pesquisas e descobertas que contribuiriam para a melhoria da qualidade de vida da população e de possíveis curas para pessoas portadoras de deficiência física ou de doenças degenerativas, tornando-se potenciais em turismo medicinal e progredindo social e economicamente falando, enquanto o Brasil ficaria com a possibilidade desse tipo de crescimento trancada nos frízeres dos laboratórios. (literalmente!)
Tanto a geneticista quando o Ministro estavam otimistas em relação ao julgamento que foi adiado horas após a conversa. Um dos motivos do otimismo para o Ministro, que também teve artigos sobre o tema veiculados em alguns jornais, foi justamente a forma como a mídia estava trabalhando o caso.
Na opinião do ministro, o posicionamento a favor da liberação das pesquisas por parte da mídia se mostrava evidente, e ele acreditava que, da mesma forma que a mídia influenciou os acontecimentos no escândalo do mensalão, influenciaria ali, no caso das células-tronco embrionárias.
As respostas dos religiosos não ficaram para trás. Ao levantarem questionamentos sobre a ética em se matar um embrião para obtenção de células-tronco, afirmando tratar-se o embrião de um ser humano, e, como tal, pela constituição, ter direito à vida e à proteção, iniciou-se um debate que despertou a atenção e o interesse da população.
Dessa forma, os jornais se viram repletos de artigos contendo argumentos e contra-argumentos de ambos os lados. E, para fazer com que a população compreendesse o conteúdo dos artigos, os jornais de repente se viram explicando para a população como agiam diversas doenças e como as células-tronco embrionárias poderiam combatê-las, explicando o que são células-tronco, divulgando, como ha muito não faziam, a ciência pura e simples, em sua essência.
E assim, estabeleceu-se o contato da população com a ciência, e não com o seu fruto, no Brasil. A mídia despertou o interesse científico de várias pessoas. Se continuar tratando outras questões científicas como trataram as células-tronco embrionárias, a mídia pode auxiliar não somente a ciência, mas também o desenvolvimento do país.
Como vimos, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento social. E, como também citado anteriormente, as divulgações científicas foram um dos aspectos que acelerou o crescimento científico e tecnológico na Idade Moderna e ainda mais na Idade Contemporânea, com a comunicação instantânea que a tecnologia atual permite entre pessoas de diferentes lugares do planeta.
A ciência e a tecnologia permitem que os meios de produção se tornem cada vez mais rápidos e eficazes, bem como o transporte dos produtos de forma segura e de maneira que não estraguem, quando alimentícios, ou danifiquem, quando objetos.
Tudo isso contribui de forma significativa para o desenvolvimento do país. O que falta, de acordo com os dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), é mão de obra qualificada para atender os interesses dos investidores nas áreas científicas e tecnológicas, fundamentais para o progresso de qualquer nação.
Nos países desenvolvidos, o número de doutores em áreas de ciência e tecnologia, segundo o MCT, ultrapassam 600 mil. No Brasil, não chegam a 100 mil. Mas, com incentivos como as bolsas de estudo oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que tiveram um aumento de mais de 20% para mestrados e doutorados, como anunciou o Ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, no aniversário do CNPq em abril deste ano [agora ano passado ;P], e com a mídia trabalhando de forma a despertar os interesses científicos e tecnológicos, como trabalhou na cobertura das células-tronco embrionárias, os governantes esperam atingir esse mesmo patamar, de 600 mil doutores, até 2012.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A vida, o universo, e tudo o mais. Só pra variar ;P

O que seria da Terra se a Lua saísse de sua órbita? E pra onde a Lua iria?
Para entender essas idagações é necessário que se saiba, pelo menos superficialmente, um fenômeno físico chamado Momento Angular. Antes que me mandem ir a merda e fechem com raiva esse blog, eu prometo tentar não ser tão técnica, e garanto que esse post tem como objetivo indagar questões fundamentalmente humanas, mesmo que faça uma breve passagem pelos ramos da ciência que tenta ser exata - mas que só mostrou com exatidão o quão complexo é tudo aquilo que nos envolve.
O momento angular do sistema Terra - Lua se dá pelo cálculo do produto entre a velocidade de rotação da Terra, a distância entre a Terra e a Lua e a massa do nosso planeta. E, acreditem se quiserem, esse valor permanece constante. Assim como o momento angular do sistema Terra - Sol, e por aí vai. (Por isso que quando a Terra está perto do Sol, ela vai mais rápido. Como o resultado deste produto deve permanecer constante para que se haja a conservação do momento angular, ela compensa a diminuição da distância com o aumento da velocidade...e vai mais devagar quando está longe do sol, porque compensa uma distância maior com uma velocidade menor). "De um modo geral o momento angular é constante, ou conservado, em qualquer sistema em rotação sobre o qual não esteja atuando nenhuma força externa, ou no qual a força esteja dirigida para o centro de rotação."
Outra consideração que devemos lembrar é que a Lula permanece na órbita da Terra e a Terra permnece na órbita do Sol devido as forças gravitacionais que um corpo exerce sobre o outro. Da mesma forma que a Terra atrai gravitacionalmente a lua, a lua também o faz em relação a Terra. Com tal intensidade que é a lua a responsavel, por exemplo, pelos dias aqui na Terra durarem 23,9 horas aproximadamente, ou responsável pelo movimento de rotação terrestre. E consequentemente, pela duração do ano aqui também, uma vez que, se a lua determina a velocidade, bem como a inclinação em torno do proprio eixo no qual a Terra gira em torno de si mesma, e se a velocidade de rotação da Terra é uma das grandezas consideradas no cálculo do momento angular no sistema Terra - Sol, então pode-se dizer que a lua também tem um papel fundamental no período de translação do nosso planeta.
E essa influência tanto da lua quanto do sol, falando de forma ainda mais superficial, em um dos aspectos recebe o nome de força das marés, porque também é graças a esses fenomenos que as temos. Então, com isso se constata que é graças ao sol e a lua que temos dias e noites alternando de 12 em 12 horas, bem como variadas estações do ano nas quais as temperaturas proporcionam um ambiente favorável para o desenvolvimento da biodiversidade até agora encontrada apenas em um planeta do nosso Sistema Solar, o que é ainda mais impressionante se considerarmos a teoria padrão que traça o histórico da formação desse sistema. Mas deixa isso pra um outro post especial.
Mas agora, o que isso tem a ver com as indagações fundamentalmente humanas que eu pretendia levantar?
Muito simples. Não é fascinante e ao mesmo tempo desconfortável a quatidade de fatores infinitos que favoreceram as condições ideias para o desenvolvimento biológico no Planeta Terra? Até os detalhes mais sórdidos são recheados de uma estonteante e nauseante complexidade condicional.
Ora, afinal de contas, é mera coincidência nossa atmosfera ter resolvido se comportar de modo a surgir o efeito-estufa que, caramba, proporciona temperaturas ideias para os seres vivos? É mera coiciência o planeta cuja atmosfera desencadeou tais peculiaridades ocupar, quem diria, uma posição ideal no Sistema Solar? É mera coincidência que este mesmo planetinha tenha atraído (ou moldado) um corpo celeste que teima em se manter em sua órbita, alterando assim a órbita do planeta em questão, o que torna o movimento de rotação e até o de translação fatores também condicionais para o desenvolvimento biológico? Sem falar, finalmente, naquelas serelepes moléculas orgânicas, compostas por elementos biogênicos (Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Enxofre e Fósforo) que por acaso um dia cruzaram o mesmo ponto num planeta chamado Terra há tempos atrás, que cheias de coincidências em suas estruturas moleculares se combinaram, dando origem a organização funcional (que resulta na capacidade das moléculas constituírem entidades capazes de interagir com o meio ambiente) e, dessa forma, possibilitando a evolução destas, buscando no meio nutrientes para evoluírem gradativamente em toda a biodiversidade encontrada hoje?
Se você for parar pra pensar em tudo...teve o big bang, que originou a matéria, que foi se alternando, surgiram nebulosas, curjas particulas se atraíram gravitacionalmente fazendoa-as girar para a forma de um disco rígido, do qual se colapsou originando o Sol e ainda o restante do Sistema Solar, do qual se alinharam em orbitas quase perfeitas em torno do mesmo, desencadeando momentos angulares conservados...até a origem da propria lua é de se admirar! Dizem que um corpo celeste colidiu com a Terra, arrancou um pedaço dela e assim formou-se a lua, que é FUNDAMENTAL para a vida como vimos anteriormente.
Dessa forma, fica difícil não acreditar que há nisso tudo algo ainda maior montando um quebra-caeça tão perfeito, duma complexidade espantosamente simples...na verdade, uma série de fenômenos SIMPLES isolados que num conjunto formam esse complexo quebra-cabeça que somente algo com uma genialidade absoluta e a inocência de uma criança seria capaz de fazer.
Ooooooooooooooooooooooooooooou nãããããããããããããão.
Reparem que, apesar de ter feito uma [MUITO] breve historia do surgimento do universo até o sistema solar dois paragrafos acima, todos os outros fenomenos descritos nesse texto referem-se APENAS ao sistema Solar, mais especificamente Terra, Sol e Lua. E o que são esses três pontos se comparados ao universo? Acho que não chegam nem a ser o que espermatozoides são pra gente hoje. Não só pelo tamanho, mas também pela idade se comparada a idade do universo.
Mas será mesmo que há uma força genial e infantil brincando com tudo isso? Há, com certeza existe - na mente da humanidade.
Porque esses seriam fenômenos realmente impressionantes, quase mágicos, se limitarmos o universo ao sistema solar e a escala de tempo ao da vida humana.
Se esses fenômenos se desenvolveram em um ponto do universo que não é privilegiado, e quase invisível, imagina o que não podemos encontrar em sistemas mais antigos e privilegiados que o nosso?
Acho que mais impressionante do que todos esses fenôemnos, seria se nada do tipo acontecesse numa escala de tempo tão grande!
E ainda engatinhamos!
O Universo está se expandindo. [Não vou entrar em detalhes de como sabemos disso, mas quem quiser sugiro que pesquise sobre o fenômeno redshift]. Se ele está se expandindo então só mostra que estamos apenas engatinhando. Hora, quando você explode algo, não sobe aquele bolão de fogo que depois vai diminuindo de tamanho até desaparecer? Então, na explosão do big bang, o 'bolão de fogo' ainda ta subindo hoje. Mas se ele ainda está se expandindo, então isso nos leva a uma conclusão: apesar de ser ilimitado e crescente, ele é finito. Mas então o que tem depois? O que tem em volta do universo?
Será que além das fronteiras das linhas de contorno universais existem civilizações inteligentes ainda mais diversificadas do que todo o quadro biológico do nosso planeta, que condena ao isolamento aquelas civilizações que se comportam mal?
Estaria a humanidade sendo punida por outros infinitos grupos de civilizações cuja cadeia são verdadeiros universos? (O que é pior, ser trancado numa cela lotada de pessoas ou sofrer isolamento do tipo que é a humanidade no universo?) Ou estaria ela sendo agraciada com essa série de fatores coincidentes, sórdidos, simples e envoltos na tal complexidade condicional e infantil? Ok, ok, acho que é mais fácil acreditar na existência de Deus do que nessas teorias malucas, frutos de peças que o nosso cérebro adora nos pregar [e isso também tem uma explicação! Sabia que mais da metade das coisas que você se lembra não foram realmente da maneira como ocorreram? Ok, deixa isso pra outro post também].
Mas acreditar na existência de um Deus ou não, não é uma questão de querer. Acho que é mais do que isso. Não da pra forçar a própria mente a acreditar em algo. É ridículo. No entanto, não acreditar em Deus não significa que minha vida seja sem sentido, como sugeriu o Luiz num comentário no post anterior. Pelo contrário..não sou uma pessoa triste, não acho a vida uma inutilidade sem nexo...acho sim que o fato de eu estar triste ou feliz ou o que for nada importa e nada muda no universo, mas isso não me deixa triste. Pelo contrário, atiça ainda mais a minha reflexão sobre essas indagações.
A idéia de apagar e virar nada não me assusta. O que me assusta é a certeza de que nunca vou ter respondida todas essas questões. Isso é desesperador. Ter esperanças de que exista algo [mesmo que me condene ao inferno], só pra ter respondida essas questões quando morrer faz de mim uma fiel? Uma hipócrita? Uma egoísta? Ou mesmo essa esperança que, acreditem ou não, é fundamentalmente uma necessidade de saber, de ver respondida todas essas questões, ainda faz de mim ateia? Da pra você esperar algo que você não acredita? Eu não acredito em alma, mas quero que eu tenha uma pra poder viajar por aí e tentar responder todas essas questões. De teorias, estou farta. Mentira ;P

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quem sou eu

Você não detesta a casa vazia, os moveis no lugar, os copos todos limpos? Aquele silêncio de falta de festa, que sepulta uma juventude envelhecida, cheia de pó, que jaz adormecida?
Gosto de acordar tropeçando em pessoas, nos espaços onde os moveis deram lugar aos colchões numa sala de estar. Gosto de fazer vaquinha e ir cantando na rua de madrugada até o super mercado, brincar de pique esconde, fingindo ser crianças em corpos juvenis, voltar pra casa, brindar um drink pagando de adultos com expressões infantis. Gosto de olhar, de decorar os passos e os gestos de todos que estão sob o mesmo teto, e ver que apesar de todos terem o mesmo formato humano, cada um tem um jeitinho de andar, de sorrir e de falar. Gosto de abraçar e de beijar todos aqueles que me matam de rir, mas dos que me dão colo eu tenho medo, numa fragilidade vulneravel de fazer-me conhecer.
No campo do sentimento tenho uma doença auto-imune, e por isso já estraguei tudo por falar qualquer coisa invés do que eu queria dizer, e também já estraguei tudo por não falar nada quando palavras se fazem necessárias.
Acredito que tudo na vida tem a dimensão exata que a gente escolhe, e por isso já vi pequenos acontecimentos que aparentemente são casos isolados, simples e sem importância se transformarem em portais onde fascinantes contos de fadas encontram seu lugar no real. Talvez por isso peco em acelerar processos que exigem tempo, e travo naqueles que imploram pressa.
Fui a primeira criança a nascer tanto na família parterna quanto materna. A garotinha que trouxe pela primeira vez para a familia Fernandes e para a família Andreolla os sentimentos de avós, tios e pais. Por isso, vivo alternando entre a princesinha meiga e nerd e a juventude que atiça de maneira única a curiosidade. E assim você pode me ver pedir LSD nos fundos da boate e sumir antes que o cara volte para me entregar a droga. Se for um namorado, pode se frustrar ao me ver pegar a chave e ir embora quando o amasso estava apenas começando.
Já fui dar aulas de reforço sem fins lucrativos após 38 horas de festa com amigos sem dormir, só por acreditar que a educação é o melhor para o futuro.
Alguns dizem que sempre tenho uma explicação científica pra tudo, e que por ser ateia eu deveria levar uma vida desregrada. É bem verdade que os ateus possuem uma vida com bem menos regras e que é bem legal poder dormir até mais tarde aos domingos de manhã, mas não bebo, não fumo, sou virgem e até vegetariana. E por quê? Gosto de ciências, e se teria uma overdose de neurotrofinas é por amar demais os meus neurônios. E, ah, esqueceu que eu sou a princesinha meiga e nerd da vovó?
Então, se depois de tudo isso você é capaz de dizer quem sou eu sem se prender à uma lista de qualidades e defeitos, você pode dizer que me conhece. Caso contrário, me deixe em paz.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Para um fotógrafo morto.

"Pare o trânsito, largue o carro, e faça a mágica de transformar a simplicidade num espetáculo".

Morreu essa madrugada.
Acabou, não existe mais, morreu, tem nada.
Nunca mais vai abrir a porta e perguntar se eu fiz alguma foto hoje.
E o tec tec continua em todos os outros computadores, mas o dele é só silêncio.
O silêncio é uma coisa realmente bizarra, não é?
É o único momento do mundo onde todas as possibilidades de coisas para serem ditas de fato existem, mas ninguém consegue pensar em uma única palavra. E se pensar e ousar dizer, será condenado por quebrar o silêncio que todos abominam, mas preferem morrer ao admitir isso.
O conceito de vida não está ligado ao conceito de existência? Ninguém acredita que deus seja um cara morto capaz de controlar e cuidar de todas as criaturas vivas, não é? Não costumamos dar importância para coisas que não existem, tipo bicho papão. Mas uma pessoa quando morre, ela deixa de existir nas nossas vidas, não deixa?
Bom, dizem que elas vivem dentro de nós. Whatever, bactérias também.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ju, porque a gente vale muito!

Certa vez uma amiga me telefonou, em prantos, pela frieza do atual ex namorado.
- Ah, Ana, ele não era assim! Era tão carinhoso, tão atencioso, tão incrivelmente perfeito! E agora...parece que não ta nem aí pra mim.
- Nossa, e eu que pensava que esse tipo de coisas só aconteciam comigo. Vou te contar uma história, e se no final dessa história você continuar chorando, apelarei para uma boa e eficiente e extraordinariamente calórica tigela de açaí com leite condensado e granola.

Era uma vez uma menina que tinha uma vida bem legal. Era a primeira aluna da turma, tinha um pai que fazia TUDO por ela e um namorado...ah, um namorado de outro mundo.
‘Certa vez, a menina chegou na sua aula de inglês e lá estava o namorado, com seu nome e as palavras “eu te amo” escritas por todo o corpo. O namorado, em questão, ficou quase uma hora dentro de um carro segurando dois gatos de estimação para eles não chegarem perto dela, só porque ela é alérgica. Nos restaurantes, ela ia ao banheiro e quando voltava ele a aguardava com flores. Ele ligava todos os dias para dizer que a amava. Dizia que ela era a garota mais bonita do mundo mesmo quando ela acabava de acordar. Dizia que ela era sexy mesmo ela vestindo as roupas mais velhas. Dizia que sua comida era boa mesmo quando ela esquecia de colocar o sal! Fazia qualquer coisa mesmo que para a ver por cinco minutos. Fazia ela se sentir a garota mais incrivel do mundo, porque assim ele a via.
Mas, o tempo foi passando e as brigas foram aparecendo. Ela não entendia muito bem as coisas que ele fazia por ela, porque ele havia se entregado por completo ao amor. Ela o amava também, mas tinha medo, ou talvez fosse ainda muito imatura para lidar com a plenitude única daquela relação que os dois haviam construído.
Certa vez, em uma discussão na casa da menina, ela, num ato impulsivo, disse que queria terminar. O garoto não entendia. Ele a amava demais, fazia tudo por ela, tudo, então por que ela ousava propor o fim do relacionamento? A garota era sua vida. Não suportaria o fim. Não entendia, odiava quando ela dizia isso, e ao mesmo tempo a amava seu rostinho irritado, amava sua vozinha alterada, e odiava ver aquele rostinho chorando, porque o objetivo de sua vida era fazê-lo sorrir. E quando gritou isso para a menina, ela lhe deu um tapa pedindo para ele falar baixo, com medo dos parentes, dos vizinhos, com medo dos outros. E se afastou.
E aí, o menino se aproximou, a abraçou bem forte e disse:
‘Eu vou embora. Mas me promete que NUNCA vai deixar ninguém falar que você não é linda, que você não é suficiente, que você é incapaz. Promete que nunca vai deixar ninguém te colocar pra baixo, porque você é a criatura mais incrível do mundo. Você é tão linda, e tão inteligente, e tão magnífica que qualquer um que ousar dizer o contrário estará somente externalizando a inveja que sente. Vá embora meu amor, e brilhe. Porque você sempre será a estrela que mais brilha no meu céu. Você merece toda a felicidade do mundo. Eu te amo, minha menina. E um dia você vai entender o quão magnífica você é.”
E assim cada um seguiu seu rumo. O menino começou a namorar, e a menina, tempos depois, também. No início, o novo namorado vendeu uma falsa imagem de carinho, de atenção, de afeto, de humanismo. E a menina, já mais amadurecida, se permitiu amar como fora ensinada uma vez. Se entregou ao amor, dizia coisas lindas para o menino, aquelas palavras que nutrem a alma. Prometeu para si mesma que dessa vez faria a coisa certa. Mas pouco tempo depois o menino se afastou. Não soube dar valor a nada daquilo que a menina fazia por ele. E aí ela terminou o relacionamento. Mas não chorou. Não chorou porque havia prometido para a pessoa que lhe ensinou o verdadeiro significado do amor que não deixaria ninguém a colocar pra baixo. Se as pessoas não davam mais valor as coisas que ela fazia, ela não se importava mais. Porque, sobre todas as coisas do mundo, ela acreditava na frase da cítara mágica: “A coisa mais importante de se aprender é amar e ser amado”. E isso ela já havia aprendido.
Então, não chore por quem lhe dá as costas. Chore de alegria para as mãos que lhes são estendidas. Não chore pela ignorância no amor de outras pessoas. Um dia, assim como a menina aprendeu, eles também vão aprender.
Por fim, não chore porque ele está frio com você, porque ele te tratou mal ou porque não te dá a atenção que você merece. Mas se você quer chorar por ele, então eu chorarei com você. Vamos chorar sim, tadinho, ele ainda não aprendeu a valorizar, ele ainda não aprendeu a amar, ele ainda não aprendeu a viver. Coitado.

Depois disso, a minha amiga riu, e é por isso que o menino em questão atualmente ocupa o posto de ex namorado. E nem por isso deixamos de tomar o nosso açaí, que diga-se de passagem, é a melhor coisa do mundo!